quarta-feira, 28 de março de 2012

Espanha: Natal em Toledo


O inverno chegou, com muito frio e dias lindos, claros e ensolarados.
Época de roupas elegantes, de casacos de pele, de botas de cano alto, de cachecóis e echarpes, de luvas e de boinas à francesa. Época de bebidas quentes, de comidas pesadas, de preguiça de sair da cama. Época de iluminação natalina nas ruas, de lojas lotadas com pessoas em busca de presentes, de confraternizações de final de ano.
Recebi minha primeira visita! Uma amiga muito linda, que estava na Itália e que veio passar alguns dias comigo.  Papos profundos, muita risada, regados a um bom vinhozinho.Que delícia! O highlight da programação foi, sem dúvida, o espetáculo Zarkana, do Cirque du Soleil, que me deixou de queixo caído e morrendo de vontade de me juntar a eles!
Gostei tanto que, fui novamente algumas semanas depois, desta vez com minha irmã, que veio passar 5 semanas comigo e que é completamente alucinada por circo. Diversão garantida!
Por sinal, a chegada da Cacá foi um presente, que trouxe muita animação, disposição e entusiasmo para dar uma sacudida nessa vidinha de-casa-para-o-trabalho-do-trabalho-para-casa que eu estava levando, além de me dar o conforto de família, justo nesta época do ano tão familiar.
O feriado do Natal este ano caiu no final de semana e acabamos optando por passá-lo em Toledo, que fica a uns 40 minutos de Madri.
É uma cidadezinha pequena, mas com História por todos os lados, contada em suas ruas de pedra que formam um labirinto incompreensível; nas suas muralhas externas, que envolvem o Casco Histórico; no atualmente irrelevante contraste entre construções de origem católica, judia e muçulmana, que foram sendo construídas ao longo dos séculos de ocupação e que hoje convivem em tranquila harmonia.
Chegamos na manhã do dia 24, deixamos as malas no hotel e fomos passear, sem muito destino certo. Muita gente por todos os lados, entre turistas e locais, todos em clima de celebração. Por sinal, esta foi uma das mais gratas surpresas desta viagem: durante todo o dia, nos deparamos com diversas festas, em praças ou becos, repletas de gente, avós, pais, filhos, netos, amigos, vizinhos, colegas, todos juntos com suas "copas y tapas", brincando, rindo, conversando e confraternizando. Dava a impressão de que todos os 80 mil habitantes de Toledo se conheciam e formavam uma grande família,  comemorando com seus queridos esta data tão especial. Bonito de ver. Tomamos uma cervejinha em duas destas festas e a impressão que tivemos foi a de estarmos em uma quermece de cidade do interior.
Confesso que, depois de me deparar com este cenário, as atrações turísticas de Toledo acabaram meio opacas. Fomos passear em vários lugares, vagamos pelas ruas, passamos em frente a diversos edifícios, igrejas e mesquitas,  mas não nos animamos a visitar museus ou o interior de monumentos, pois com o clima que estava nas ruas, parecia um disperdício ficar enfurnado com um bando de turistas.
No domingo, dia 25 de dezembro, obviamente estava tudo fechado. Muito justo.
Já com as ruas mais vazias, mais calmas, pudemos atentar mais aos detalhes das construções, nos perdemos pelo bairro judeu, contemplamos a Catedral, o Monastério, passeamos ao redor do Alcazar, descemos até o Rio Tajo e cruzamos a Ponte de Alcantara. Como a cidade toda é de pedra e o solzinho de inverno não estava dando conta do frio, passamos quase o dia todo caminhando e vagando e  tomando café e andando mais um pouco, colocando o papo em dia, comentando as belezas do lugar, filosofando, tirando fotos, até chegar a hora de pegarmos nossas bagagens e ir para a estação de trem.
Foi um dia de Natal tranquilo e muito gostoso.

E até a próxima!



quarta-feira, 21 de março de 2012

Espanha: e a saga começa!



Mais de 6 meses já se passaram desde que cheguei a Madri. Tantas coisas aconteceram.
E por que não tenho escrito no blog? Ah, mas eu tenho: os últimos 5 posts foram escritos durante esses meses, com data retroativa. Tem funcionado como uma forma de digestão, para finalizar uma estapa que se esgotou e para assimilar esse mundo de novidades.
Não se deve subestimar o impacto que tem na vida de uma pessoa a mudança de endereço, de cidade, de país, de continente; de língua, de moeda, de povo, de costumes; de trabalho, de colegas, de rotina, de padrões.
Passado o período de empolgação inicial, resolvi primeiro colocar ordem na casa, me situar, me acostumar com os novos paradigmas, para só então começar a contar minhas novas aventuras.
Pois então, vamos lá: estou morando em Madri! Espanha!!!

Sonho antigo de morar "na Europa", de ter a chance de conhecer mais a fundo outra cultura, outro povo, outra forma de encarar o mundo. E tem sido interessante.
Estou morando a 3 quarteirões do Consulado, em um bairro bastante calmo, mas a 15 minutos caminhando de vários lugares movimentados e animados, o que é perfeito para mim.
O ritmo de vida é o de quem tem um trabalho burocrático, das 9h às 17h, mas que permite fazer um monte de coisas depois do expediente, pois tudo aqui em Madri começa mais tarde e termina mais tarde. As lojas, que fecham para a "siesta" das 14h às 17h, ficam abertas até as 20h. Os restaurantes somente abrem para o jantar depois das 20h30. Às 23h as ruas ainda estão abarrotadas de gente, os bares estão movimentados, os cinemas estão cheios, parece que ninguém fica em casa, independentemente da temperatura, do clima ou do dia da semana.
Observando de longe, os espanhóis me parecem muito animados. Um intermediário entre os expansivos brasileiros e os profundos europeus. Ah, eles não se consideram europeus... pelo menos assim me têm relatado alguns amigos com mais conhecimento de causa.
Os casais andam de mãos dadas, beijam-se nas ruas; as pessoas riem alto, falam alto; há músicos nas ruas, malabaristas nos sinais, anúncios de peças de teatro e espetáculos de circo por todos os cantos. Os habitantes da cidade efetivamente frequentam os museus, os parques, os monumentos. Existem igrejas literalmente em todos os cantos, de todos os tamanhos e estilos. E me parece que elas são frequentadas pela população local rotineiramente.

Muitos velhinhos nas ruas, encurvadinhos, caminhando lentamente nas calçadas. Muitos casais de velhinhos pelas ruas, de mãos dadas, dando suporte um ao outro. Muitos jovens, adolescentes, crianças, homens e mulheres com carrinhos de bebês, mulheres grávidas. Muitos cachorros levando seus donos para um passeio.
A cidade é perfeita para andar de bicicleta, ou a pé, para ter uma vespa ou uma moto mais potente. E tudo isso considerando que ela tem o melhor sistema de transporte público do mundo, com metrô, ônibus e trens que te levam a todos os lugares.
Tenho observado, aqui, uma excelente qualidade de vida e, ao mesmo tempo, dá para perceber que a crise está tornando as coisas bastante tensas e complicadas.
Mas estas são apenas as primeiras impressões, os indícios iniciais sobre do que se trata meu novo lar e sua gente, ainda superficiais e obtidas com base numa avaliação razoavelmente distanciada.
Ao longo do tempo, procurarei refinar as percepções.

Até já!


sábado, 1 de janeiro de 2011

UK 2010

Meus pompons agora me levam de volta a Londres, para um mês de trabalho, sim, um mês de muito trabalho, porém em um ritmo tranquilo, com hora para entrar e hora para sair, com hora de almoço e hora feliz.
Um mês delicioso, em que pude viver uma pacata vida de alguém que mora em uma das cidades mais incríveis que já conheci.
Londres no inverno, com seu tempo carrancudo e sensação térmica congelante, com dias que começam depois que chegamos ao trabalho e que vão terminando enquanto voltamos do almoço. E que, com tudo isso, estava abarrotada de gente, locais e estrangeiros, habitantes e visitantes, já em plena movimentação natalina, apesar de estarmos na primeira semana de novembro.
Londres com aquela vida de megalópole, que sempre nos deixa com a impressão de que estamos perdendo algum evento imperdível, de que as pessoas estão com pressa, mas muita pressa, de sair do frio e entrar em algum lugar aconchegante, ou movimentado, ou intimista, ou caótico, ou simplesmente londrino.
Metrôs cheios, ônibus abarrotados, trânsito enlouquecido.
Neve nas ruas, sal nas ruas, luzes decorativas nas ruas, eventos nas ruas, músicos nas ruas, pessoas com sacolas de compras nas ruas, pessoas indo para o trabalho, voltando do trabalho, indo ao museu, seguindo até a London Bridge, pessoas indo ao teatro, a um show, a um jantar com os amigos, ao happy hour ou até o mercado da esquina.
Como passaria um mês inteiro, resolvi alugar uma casinha, em uma rua sem saída bem próxima ao Hide Park, de onde conseguia chegar ao consulado em 15 minutos andando. Um sobrado tipicamente londrino, com tudo funcional, sem esbanjar espaço, mas com o conforto próprio de um lar-doce-lar.
Durante a semana, a cadência do cotidiano foi de vida normal, com almoços e happy hours gostosos, acompanhada de pessoas deliciosas. Às vezes íamos a algum pub para uma Guinness, às vezes íamos à Debenhams para umas comprinhas, às vezes eu saia sozinha para um passeio, às vezes juntávamos todos os colegas de trabalho para umas bebidinhas mais animadas. Fomos assistir a um dos colegas, que também é músico, apresentar-se em um lugar chamado The Stables, em Camdem, que é literalmente um antigo estábulo, enorme, ainda na construção original do século XIX, que acolhe em suas baias um mercado de coisas variadas durante o dia, e que sedia, durante à noite, shows de diferentes gêneros, em casas noturnas de diferentes estilos.
Nos finais de semana, após conseguir me convencer de que o frio não podia ser motivo para ficar dentro de casa, por mais tentador que isso parecesse, costumava sair sem rumo pela cidade: fui ao London Eye, a Westminster, ao British Museum, ao Tate Modern Museum e a tantos outros lugares que nem consigo me lembrar de todos.
Para deixar a estada ainda melhor, lá tive a chance de rever uma amiga querida, a quem conheci em Brasília e que está morando em Londres. Foi uma delícia! Com ela fui a duas aulas de acro-yoga, que mistura técnicas de massagem com yoga e um tanto de acrobacias. Fomos ao mercado de Camdem Town, maravilhoso em sua variedade de coisas, de estilos, de gentes, de comidas, de tudo! Após um jantarzinho no pub da esquina, fui conhecer sua casa, super linda e acolhedora, tudo isso regado a ótimos papos e muita diversão.
Bem, como eu disse no início, foi a corriqueira vida de quem mora em uma cidade fantástica!
Findo o mês de trabalho, enfim chegou o momento das minhas tão merecidas férias!
Qual o programa? Dez dias na Escócia, lugar que faz parte dos meus sonhados itinerários turísticos desde que me entendo por gente.
Para começar, resolvi fazer um workshop de fotografia na Ilha de Skye, que fica no litoral noroeste da Grã-Bretanha. O professor, Glen Campbell ( http://www.lightstalkersscotland.com/), era exatamente o que eu estava procurando: alguém que me ajudasse a compreender um pouco melhor a arte de fotografar, enquanto também me mostrava este cantinho tão maravilhoso do mundo.
A aventura começou na viagem de ída, pois o país estava sendo assolado por uma nevasca que tornava bastante incerta a ocorrência de trens rumo ao norte. Mas o universo conspirou para que lá eu chegasse. A primeira parada foi na cidade de Inverness, pela qual pude passear por um par de horas e que, devo dizer, achei uma graça. Lá me encontrei com Glen e fomos, de carro, em direção a Skye. No caminho, costeamos o famoso Loch Ness, local de tantas lendas que fazem parte do nosso imaginário e também passamos pelo Eilean Donan Castle, que foi cenário de um grande número de filmes, entre eles o clássico Highlader (1986).
Hospedamo-nos em um vilarejo chamado Portree, à beira do canal onde fica o porto. Como estávamos em pleno inverno, creio que éramos dos poucos turistas na região, geralmente repleta de visitantes durante os meses de primavera e verão.
Me chamou a atenção os nomes em gaélicos dos locais, estradas e atrações, que me pareceram absolutamente impronunciáveis, dando uma idéia da antiguidade daquela língua que beira à extinção, mas que tem sido alvo de esforços preservacionistas e de reinserção no quotidiano da população. Além disso, gostei muito do aspecto interiorano dos cidadãos da ilha, que são acessíveis tanto a perguntas descabidas de turistas despistados, como a um bom papo sobre alguma trivialidade. Para se ter uma idéia da cordialidade das pessoas, a maioria das estradas na ilha têm espaço para apenas um carro, apesar de serem de mão dupla. Em seu curso, existem uma espécie de bolsões estratégicos, como se fossem um "puxadinho" de acostamente, em que o carro que estiver vindo naquele sentido aguarda que o outro passe. Invariavelmente, ao se cruzarem, os motoristas diminuem a velocidade e cumprimentam-se, em uma mistura de agradecimento pela gentileza e "tenha um bom dia".
Outra parte do charme local são as ovelhas! Não dá para passar pela Escócia e não comentar sobre aquele bando de ovelhinhas simpáticas, que caminham pelos lugares mais improváveis em sua calma e serenidade características.
Em um tour fotográfico como este, a intenção é buscar os melhores momentos do dia para que a luz dê a "dramaticidade" necessária às fotos de paisagem. Por este motivo, devíamos estar nos locais muito cedo pela manhã ou ao final da tarde, quando a luz oblíqua confere aos montes, rios, campos e mar a textura e as cores que os deixam ainda mais belos. E Skye é repleta de belezas naturais, só aguardando o momento perfeito para serem registradas.
Apesar de já ter visto neve um par de vezes, esta foi a primeira em que pude ver aquela neve fofinha, que caiu durante toda a noite, e que dá uma luz e um charme diferentes às árvores, aos telhados das casas, às ruas, a tudo! Imaginem uma brasileira parecendo uma criança, apalpando aqueles floquinhos suavemente sobrepostos para sentir a consistência e a sensação que transmitem. Nesse dia, fomos ao topo de uma montanha completamente coberta de neve. A subida foi um sufoco, pois caminhávamos atolados até acima dos joelhos. Apesar de não termos quase visibilidade para as fotos, pois as nuvens nos cercavam, adorei ficar naquele mundo branco, fofo e gelado. Até um boneco de neve nós fizemos, para não deixar passar a oportunidade. Super divertido!
Findo o workshop e para fechar a viagem em grande estilo, 5 dias em Edinburgh! Adorei esta cidade deliciosa, tão animada, tão cheia de vida, tão despretenciosa. Ela tem um ar um pouco surreal, com aquele Castelo imenso, bem no centro da cidade e visível por toda ela. É um lugar em que até o novo é antigo (a "cidade nova" é do séc. XVIII), mas que não perde em nenhum momento sua jovialidade.
Passear pelo Princess St. Gardens, aos pés do castelo, em meio a toda aquela gente bonita e, ao final do caminho, encontrar um parque de diversões com direito a roda gigante e barraquinhas com waffles, chocolate quente e outras comidinhas invernais; visitar o castelo por dentro, com seus corredores de pedras e pátio guarnecido por canhões e com uma vista privilegiada; caminhar pela New Town, com seus pubs e restaurantes lotados, suas lojas movimentadas e seus músicos variados apresentando-se a cada esquina. Os diferentes cantos da cidade têm sua atmosfera, quase palpável de tão presente, contando histórias passadas e ainda sendo palco de histórias presentes. A vida noturna é agitadíssima, cheia de shows e festas e baladas.
Um passeio interessante foi subir no Arthur´s Seat, que é um morro nos limites do centro de Edinburgh, ótimo para fazer uma bela caminhada em um dia de solzinho gélido e que dá uma visão panorâmica de toda a cidade, em todo o seu esplendor.
Para finalizar, fiz um tour por uma distilaria de whisky, que tanto valeu pelas degustações, quanto pela chance de ver mais um pouquinho das Highlands.
Mais alguns dias em Londres para me despedir e de volta ao Brasil, sem muitos planos para o futuro, mas com a noção de que dele farão parte muitos outros momentos de "Pé na estrada", pois amo viajar e ainda tenho muito o que conhecer. Até já!




sábado, 1 de maio de 2010

Um momento de desabafo




 Em um momento de assimilação da minha própria história, preciso dizer que o projeto de implantação foi, para esta empolgada pessoa, cidadã brasileira, um tempo cheio de percalços, de intempéries, de stress além do imaginado, de exaustão, de fusos horários acumulados e não assimilados, de defesa de ideais que foram combatidos com armas das mais variadas e, também, de exercício, contínuo e interminável, da paciência e do controle necessários para dar treinamento a pessoas que não queriam recebê-lo. Tudo isso ocorreu a duras penas; à custa da minha saúde, física e mental, da minha energia, da minha família, dos meus amigos, da minha prática de yoga, enfim, da minha vida.
Nos posts antecedentes, com o fim de preservar a integridade deste blog, apenas fiz referências superficiais sobre as dificuldades que passamos. E, se agora não entro em maiores detalhes, creio que o final desta etapa merece, ao menos, um reconhecimento de todo o trabalho que realizamos.
Foram 9 missões, durante as quais visitamos 27 postos, situados em 20 países diferentes. Cada uma delas durou de 2 a 5 semanas, após as quais retornávamos ao Brasil para 2 a 3 semanas solucionando todos os problemas detectados, lavando a roupa suja, tentando perder os quilos ganhos, dando notícias para os queridos, dando os parabéns para os que fizeram aniversário e preparando cada um das dezenas ou centenas de detalhes da próxima viagem.
Lidamos com funcionários surtados, boicotes por parte das chefias, imcompreensão por parte da população brasileira, deficiências do próprio sistema, deficiências de infra-estrutura local, climas muito diferentes, horas de vôos sem descanso, horas de trabalho sem descanso, falta de tempo e energia para fazer qualquer outra coisa que não fosse jantar e dormir.
Em compensação, tive o prazer e o privilégio de ter feito parte de um projeto do qual me orgulho, no qual acreditei e com o qual me comprometi. Tive o prazer e o privilégio de ter trabalhado com colegas excelentes, sérios e dedicados, que muito me ensinaram e cujo apoio e compreensão foram imprescindíveis para mim. Tive o prazer e o privilégio de fazer parte de uma equipe fantástica, coesa e em sintonia, com pessoas comprometidas e que, tanto quanto eu, se doaram para esta aventura enlouquecida. Tive o prazer e o privilégio de conhecer alguns colegas, por este mundo a fora, que conseguem manter a eficiência e a correção, sem perder a ternura. E acima de tudo, tive o prazer e o privilégio de conhecer 27 postos em 20 países diferentes.
Agradeço pela oportunidade e pelo aprendizado; agradeço pelo sentimento de realização; agradeço pelas risadas, essenciais para mantermos o pique e agradeço à compreensão de todos.
Faço ainda um agradecimento e uma menção genérica às fotos que postei nos 9 posts anteriores, pois não tenho certeza de quem as tirou. :-)

The End!
E agora, bola para frente.

sábado, 10 de abril de 2010

Missão 9 - a última: Amã, Atenas e Zagreb



A última das missões de implantação já começou em ritmo de aventura.
Para chegarmos a Amã, foi necessário fazermos escala numa inóspita Paris, assolada por uma tempestade de ventos fortíssimos, que fechou o aeroporto. Nosso vôo foi o último a pousar, com uma turbulência de dar nó no estômago e derrapando por dezenas de metros na pista. A situação estava tão complicada que não era possível desembarcar, de modo que ficamos presos por mais de 40 minutos em um avião que, mesmo pousado, chacoalhava como se estivesse no ar, em virtude das rajadas de vento.
Assim que o aeroporto reabriu, pegamos nossa conexão para Amã e, ao chegarmos, descobrimos que a empresa aérea decidira deixar para trás a bagagem de metade dos passageiros, para que a aeronave não viajasse muito pesada naquela tempestade. É claro que a nossa bagagem estava entre as que ficaram em Paris. Clássico.

Amã:
Apesar de já ter estado em Rabat e Tunis, creio que esta foi uma experiência mais real do mundo árabe. E islâmico. Ou pelo menos mais de acordo com aquilo que eu imaginava encontrar em um país cuja cultura e tradição, tão diferentes das minhas, me causam uma certa curiosidade, envolta em alguma apreensão.
Aqui, vi mulheres usando burkas completas, que não deixavam absolutamente nada de fora. Comiam por baixo do véu, sabe-se lá como. Na viagem de ida, durante o vôo, toda uma sessão do avião foi envolta por uma cortina, para que as mulheres pudessem comer sem ser vistas.
A região onde fica a nossa Embaixada é predominantemente residencial. Grandes casas, em sua maioria com muros muito altos e homens armados na porta. Homens armados demais, para o meu gosto. Em alguns dias, ouvimos sons de tiros, ao longe. Foram poucas ocasiões em que isso aconteceu, mas foram ocasiões demais, para o meu gosto.
Ainda assim, nossa estada em Amã não foi tão traumática como estou fazendo parecer. Passeamos pouco pela cidade. Comemos muito bem. Encontramos um bar que vendia bebidas alcoólicas para estrangeiros. Oásis.
E, como de praxe, ao raiar de um dia de folga, pé na estrada. Fomos para Petra, a famosa cidade construída nas rochas. Não “de rochas”, mas literalmente “nas rochas”. Em um vale árido e inóspito, ladeado por montes rochosos, são encontradas uma infinidade de tumbas, residências, templos e sabe-se lá mais o que, tudo esculpido em montanhas de pedra rosa-avermelhada. O conjunto forma um forte natural, com estreitos corredores de paredes altíssimas, dentro do qual a cidade foi construída. Algumas construções encontradas no vale são romanas, como um teatro e um monastério, que fica no topo de um morro cujo acesso é uma escadaria de 800 degraus.
A subida foi exaustiva, mas teve momentos de muita diversão. Como, por exemplo, sempre que surgia algum turista no lombo de um burrico, descendo o morro. A cara de medo das pobres pessoas, que quiseram se poupar do esforço ascendente e acabaram em uma roubada descendente, era impagável. A descida é muito íngreme e creio que a sensação de que, a qualquer momento, o animal empacaria enquanto o passageiro seguiria adiante, em pura inércia, deveria ser assustadora. Vimos muitos deles simplesmente desmontar e deixar que os animais descessem desgarrados, sem se incomodar com seus destinos.
No geral, é um lugar muito impressionante e caminhar por aqueles corredores, entre turistas, guias, camelos e burros, observando as nuances de cores formadas nas pedras, as faixas dégradés que mostram a passagem de séculos e milênios, tudo isso nos transporta a um outro mundo. Um mundo que vale à pena ser visitado.

Atenas:
Falando em lugares antiquíssimos, cá viemos parar, na origem da civilização ocidental. E justo em um período de conturbação social, com piquetes, greves e manifestações em virtude da crise.
Foi interessante. Conhecer o Parthenon, a Acrópole e outros templos dos primórdios da democracia, enquanto passávamos por cartazes convocando greve geral, praças em que pessoas se reuniam em assembléia para decidir os rumos das reivindicações e prédios depredados por manifestantes que incluíam desde os tradicionais trabalhadores assalariados, até profissionais liberais como médicos, arquitetos e advogados.
E com tudo isso...
Adorei a cidade de Atenas!
A mistura de antigo e moderno, as casas, os bairros, as praças, os bares e restaurantes, os museus, os templos, as vistas; tudo me deixou bem impressionada, apesar das poucas oportunidades para conhecê-la melhor.
Uma vez mais, museu a céu aberto; uma vez mais, aula de história in loco.
Por mais que eu tenha visto esses lugares em livros, revistas, filmes e programas de TV, e que eles façam parte das minhas referências, vê-los ao vivo, caminhar por eles e observar o que está ao seu redor é incrível. Toda a cidade está aos pés desses templos que assim foram construídos de propósito, no alto, onde grandes eventos se desenrolavam.
A língua oferece algum desafio, pois apesar de seu som grandioso, simplesmente não é possível entende-la. Mas a maioria das pessoas tinha boa vontade com estrangeiros e não se incomodava em falar inglês.
E assim, chegamos a um dos meus temas recorrentes e preferidos: a comida!
Ah, a cozinha mediterrânea! Me tornei uma grande fã e aqui não foi diferente. A já esperada combinação de azeite, verduras, legumes, grãos, peixes e ervas, tudo sempre fresco, mas preparados à maneira grega, é de deixar qualquer um com água na boca.
Moussaka é um dos meus pratos favoritos, juntamente com os legumes recheados e o queijo feta. O yogurt com mel e nozes é delicioso. Suspeito que quanto mais eu conhecer a cozinha grega, mais eu gostarei.
Da mesma forma em relação ao resto da cidade e do país que, mesmo com a crise, me pareceu um ótimo lugar para viver.
I'll be back!


Zagreb:
O detalhe interessante sobre a minha ida a Zagreb é que eu sempre quis conhecer a Croácia, mesmo sem ter qualquer informação mais consistente sobre o país, já que nunca conheci um croata ou  ninguém que lá tivesse estado. Apesar de saber sobre a guerra da Yugoslavia, que aconteceu quando eu ainda estava no colegial, não posso dizer que tivesse uma noção real do que se passava naquela região.
Talvez pela localização (em meio à Europa, aos Balcãs e ao Mediterraneo), ou talvez por mera imaginação de uma pessoa com tendências a sonhar com lugares distantes e diferentes, já há muitos anos tenho curiosidade a respeito do lugar.
Acrescente-se a isso, o fato de que chegamos a Zagreb como um grupo de sobreviventes, pois um ano de implantações tiveram muitas consequências em nossas vidas.

Mas, tendo sido este o último posto, da última missão, creio que dentro das nossas possibilidade tentamos aproveitar a cidade ao máximo.
Tivemos a sorte de conhecer uma funcionária local, croata, que além de ter um orgulho nítido por seu país e sua cidade, também teve a disponibilidade de nos servir de guia. E uma ótima companhia, diga-se de passagem. Nos levou para conhecer os pontos principais da cidade, nos contou um pouquinho sobre a história e sobre a cultura croatas, respondeu às nossas perguntas e, melhor do que tudo o mais, nos apresentou alguns de seus locais favoritos.

A cidade é incrivelmente linda! Ao final do inverno, havia ainda um pouco de neve nas ruas, mas a temperatura não estava mais tão baixa e as pessoas já começavam a frequentar as praças, sentando em seus gramados, ou os bares com mesas ao ar livre.
Fomos a restaurantes de ambientes gostos e comida deliciosa, fomos a um bar tradicional, onde serviam 20 e poucos tipos diferentes da "cachaça" local, fomos a bares charmosos, a chopperias, a cafés com belas vistas e que serviam delicioso chocolates quentes, caminhamos pelas ruas, sempre descobrindo cantinhos simpáticos e lugares bacanas. As pessoas da cidade, sempre na rua, me pareceram simpáticas, descontraídas, animadas. Havia uma atmosfera agradável que, como não podia deixar de ser, aumentaram ainda mais minha vontade de voltar para conhecer mais e mais e mais.

E com isso voltamos ao Brasil com o firme propósito de passar um bom tempo sem entrar em um avião! Vamos ver quanto isso vai durar.
Até a próxima.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Missão 8: Rabat, Tunis e Paris




Existem alguns lugares que, durante grande parte da minha vida, figuraram em minha imaginação como símbolos do exótico, do diferente, do excitante, do instigante. São lugares que sonhei conhecer pelo puro e simples amor à aventura, às viagens, a outras culturas; vontade de saber como outras sociedades vivem, seus hábitos diários, como pensam, como se relacionam. De países europeus, com suas histórias e culturas, a países asiáticos, com suas tradições milenares, o norte da África sempre esteve presente nesse rol de locais a serem visitados.

Rabat:
O Marrocos certamente é um dos países do continente africano que mais despertam meu interesse. A riqueza de sua cultura sempre atraiu minha curiosidade, de modo que quando enfim cheguei à sua capital, estava preparada para, apesar do pouco tempo livre, experimentar um pouquinho desse mundo cheio de novidades.
Como normalmente acontece quando criamos muita expectativa a respeito de algo, minha experiência marroquina ficou muito aquém do esperado. Muito trabalho com uma dose extra de dificuldades técnicas, poucas oportunidades de sair para passear, nenhuma chance de viajar pelos arredores, acrescido ao fato de que a cidade de Rabat, propriamente dita, não ser tão agitada quanto Casablanca, Fez ou Marrakesh, tornaram esta semana um tanto... frustrante.
Ainda assim, conseguimos em duas oportunidades ter um gostinho da atmosfera marroquina de que ouvimos falar nas histórias dos viajantes.
A primeira delas foi uma visita ao Mausoléu de Mohammed V. O lugar é lindo e um ótimo exemplo de arquitetura marroquina, cheio de portais detalhadamente desenhados, mosaicos coloridos, muito mármore e outras pedras.
Aliás, a cidade tem uma arquitetura interessante. Em sua maioria, as construções são pintadas de branco e rodeadas por jardins, havendo um muro que cerca parte da cidade. O conjunto, visto de longe, é bem bonito. O próprio prédio onde está sediada a Embaixada brasileira é belíssimo. Na parte interna, há mosaicos nas paredes, uma pequena fonte também de mosaico e uma cúpula no teto, com vitral colorido, que filtra a luz do sol e deixa as paredes com desenhos em tons de rosa, amarelo, verde e azul.
O melhor passeio que fizemos, sem dúvida, foi à Medina de Rabat. É o típico mercado árabe, cheio de ruazinhas estreitas repletas de lojas vendendo um sem-número de produtos, sendo obrigatório o exercício da “pechincha”. Confesso não ser muito adepta desta arte, mas um dos meus companheiros de viagem é, de modo que deixei que se divertisse, enquanto apenas aproveitei a baixa no preço.

Tunis:
 

Em Tunis a história já foi diferente. Trabalho tranqüilo e sob controle, que resultou em mais chances de perambular! Já na primeira noite, fomos convidados pelo Embaixador para uma recepção na residência oficial. E que residência! Uma casa maravilhosa, em uma parte elevada da cidade, com uma vista fantástica do mar e da marina.
A cidade de Tunis, propriamente dita, não me chamou muita atenção. Fomos à Medina, que é bem bacana. Caminhamos um pouco pelas ruas, sem maiores surpresas, exceto, talvez, por uma certa indisponibilidade de alguns homens, em dar informações para mulheres desacompanhadas. Mas nada de muito grave.
Em compensação, a cidade de Cartago, logo ao lado de Tunis, é absolutamente maravilhosa. Lá existe um parque, com um grande número de ruínas ainda dos tempos romanos, que dão apenas uma noção superficial de toda a história contida em um local que tem cerca de 3 mil anos.
Durante todas estas viagens que fiz, em muitos momentos tive uma sensação de estar no meio de uma aula de história. E em Cartago foi exatamente assim que me senti, já que sua história remonta à época dos fenícios. Alguém se lembra das guerras Púnicas? Pois bem, a cidade originalmente foi destruída ao final destas guerras e foi reconstruída pelos romanos, como um de seus principais centros urbanos. Assim, caminhar por todas estas ruínas me fez inclusive ter a curiosidade de pesquisar um pouco sobre o local para poder escrever este post.
Outro passeio incrível foi ao Museu Bardo, com sua coleção de mosaicos romanos e de azulejos coloridos, que ocupavam pisos e paredes até o teto, às vezes reconstruindo cenas inteiras, às vezes mostrando animais, flores ou apenas padrões de desenhos.
Devo ainda fazer um breve comentário sobre a comida local, que é deliciosa!


Paris:
Esta cidade é um mundo em si mesma. E eu a amo!
Todas as vezes que vou a Paris descubro algo novo, deparo-me com algo inesperado, percebo que ainda há muito mais a conhecer.
Foi a primeira vez em que fui à cidade luz com companhia, de modo que, apesar de todo o tempo gasto (ouso dizer desperdiçado) com a implantação, ainda tínhamos pique, ao final do dia, para dar uma volta, comer em algum bistrô charmoso e tomar um vinho para esquentar os ossos. A final de contas, estávamos em pleno final de janeiro, com direito a neve e muito frio. Mas incentivávamos uns aos outros, pois estávamos em Paris e não há possibilidade de se deixar ficar dentro do quarto de hotel.
Por sinal, em um momento de confusão mental, abro parênteses nesta missão, pois estou me lembrando da volta da missão da Ásia, quando tive um dia inteiro em Paris, antes de embarcar para o Brasil. Este foi um dia fantástico, tendo o avião pousado muito cedo, de modo que estávamos na cidade antes das 8:00 horas da manhã. Após tomar um típico café da manhã, com direito a chocolat chaud e croissant, fomos visitar uma Notre Dame quase vazia, o que é uma raridade, e tive a chance e o privilégio de poder apreciá-la com calma e vagar. Mais tarde, numa caminhada pela cidade que estava toda decorada para o natal, descobrimos uma roda gigante temporária, ao final da Champs-Élysées e aos pés do Jardin des Tuileries, que mostrava a cidade inteira, em toda a sua glória.
Mas retornando à semana de implantação, enfim fui ao Musée d´Orsay, que deixei de ir da primeira vez.  Adorei.
Fiz compras na Galeries Lafayette e quase fiquei louca na sessão gourmet, com todos aqueles temperos, molhos, ingredientes e tudo o mais que se possa imaginar.
Passamos parte do nosso dia de folga em Montmartre, apenas passeando, caminhando tranquilamente, absorvendo a paisagem, o ritmo, a atmosfera. Comemos em algum restaurante delicioso, assistimos aos pintores nas calçadas, nos sentamos na pracinha que existe aos pés de Sacre Coeur, enfim, foi um belo dia.
Tivemos que mudar de hotel, pois o que reservamos pela internet era uma pocilga, que teria sido perfeitamente aturável se estivéssemos de férias, mas ao final de um longo dia de trabalho, não havia a menor condição.
Fomos almoçar na minha Creperie favorita. Sim, eu tenho uma creperia favorita em Paris! Mesmo que não seja a melhor, é para ela que me encaminho quando, por falta de tempo, cansaço ou qualquer estado de espírito menos aventureiro, quero comer bem e tomar um bom vinho da casa, sem maiores preocupações.

E daqui, de volta ao Brasil, para apenas algumas semanas de preparação antes da última missão de implantação.
Até já.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Missão 7: Tóquio, Nagóia, Manila, Hanói e Bangkok

A missão pela Ásia foi sem dúvida a mais longa e cansativa de todas. Foram 5 semanas em 5 postos diferentes, com 12 horas de fuso horário ao qual não tínhamos tempo para nos acostumar, sem contar o clima de 4 países diferentes e o detalhe de que apenas podíamos viajar com uma mala de 23 kgs.
Agora que já situei a todos nas dificuldades genéricas, vamos a cada um dos lugares:
Tóquio:
Não acredito que eu tenha tido a chance de realmente conhecer esta cidade tão diferente e tão notável. O que me vem à cabeça é que, aqui, a tecnologia é incorporada às entranhas da cidade, na mesma proporção em que o é a tradição milenar.
Nunca fui particularmente curiosa sobre o Japão ou sobre a cultura japonesa. Cheguei a Tóquio com o propósito de trabalhar e foi o que fiz. Por sinal, vale um comentário sobre a equipe de funcionários do Consulado. Fantásticos. Foram certamente a melhor surpresa que tive na primeira etapa da missão.
Com relação à cidade em si, não me surpreendeu ou emocionou especialmente. Não sou uma aficcionada em tecnologia e modernidades de última geração; nem tampouco me impressiono com grandes aglomerados de gente (já que sou nascida e criada em São Paulo). Desse modo, à primeira vista, a percepção da cidade foi a de uma megalópole, cheia de gente, com muitas coisas modernas, mas nada de especial.
Mesmo assim, foi interessante parar um minuto para observar algumas coisas. Como, por exemplo, o fato de que, lá, é permitido fumar dentro dos lugares e proibido fumar ao ar livre! Pode-se até ser multado por fumar andando nas ruas.
Ou o contraste que parece haver entre a milenar cultura japonesa, com seus templos budistas, jardins de cerejeiras e praticantes de Tai Chi Chuan, e todos aqueles painéis luminosos de LCD, trens bala e casas de diversão adulta, que se espalham por vários cantos da cidade.
Outro aparente contraste está na vestimenta das pessoas. As crianças utilizam sóbrios uniformes escolares, com direito a camisa, gravata, saia plissada e meias na altura dos joelhos. Os adolescentes e jovens adultos, no entanto, fogem absolutamente de qualquer padrão imaginável, inventando tanto que parece que a regra é não ter regra. Cabelos esquizofrênicos, dos mais variados formatos, tamanhos e cores; roupas esquizofrênicas, dos mais variados formados, tamanhos, cores e estampas; e atitude de acordo. Já os adultos, em sua maioria, retornam aos padrões sóbrios e modestos, em ternos de corte reto e saias abaixo dos joelhos, em cores escuras e com poucas estampas.
Talvez nada disto seja tão contrastante assim. Talvez sejam apenas dois lados da mesma moeda.  Realmente não sei. Não me tornei uma expert na cultura japonesa. Mas essas foram algumas das coisas que chamaram a minha superficial atenção.
O café da manhã era realmente... estranho... variando desde ovo crú até peixe frito, com suco de laranja, café e arroz, torradas e panquecas. Uma confusão. Mas devo dizer que, passado o choque inicial, as torradas acompanhando a sopa de misô caiam muito bem, seguidas de uma cafezinho, é claro!
Passamos por um terremoto! Tá, um tremor de terra. Na verdade, foram vários tremores, que quase não senti, mas teve um bastante perceptível, que aconteceu enquanto almoçávamos e, de repende, parecia que alguém havia dado um empurrão em minha cadeira e todos os lustres do restaurante começaram a balançar. Ai...
No único dia livre, fomos a Kamakura, uma cidade bem bonita, onde visitamos um Buda de bronze gigantesco e um templo onde presenciamos os rituais de um casamento; além de ver dezenas de meninas vestidas com as roupas típicas japonesas, para realizar algum tipo de rito de passagem.

Nagóia:
Gostei um pouco mais de Nagóia. Não sei especificar o motivo, mas achei uma cidade com mais cara de cidade. Também tinha a pirotecnia típica, porém não me incomodou tanto e, de alguma forma, lá me senti mais à vontade.

Havia um painel luminoso, em frente a um shopping, que mostrava várias imagens da mudança das estações. Muito bonito.
Assim como em outras cidades que sofrem com invernos rigorosos, lá existe uma série de galerias subterraneas cheias de lojas, restaurantes e outras facilidades.
O único passeio que pude ir foi ao Castelo de Nagoya, que é rodeado por um jardim, tudo muito belo e harmonioso.
Infelizmente, não pude acompanhar alguns colegas que passaram um dia em Kyoto, pois meu vôo para Manila sairia no meio da tarde. Teria gostado de ir até Kyoto, pois ouvi que se trata de uma das mais bonitas cidades do Japão. Quem sabe em uma próxima oportunidade.



Manila:
Chegamos ao sudeste asiático! Aqui encontramos aquela baderna típica das grandes cidades da região, com seu trânsito caótico, ônibus com pessoas penduradas para fora, businas e multidões para todos os lados.
Mas achei a cidade com uma vibração estranha. Bastante ocidentalizada, sendo que a maioria das pessoas com quem tive contato falava inglês. A influência espanhola é perceptível, na arquitetura, na religião católica e na comida. Aliás, falando em comida, aqui comi uma das melhores paellas da minha vida!
Também havia uma certa tensão geral nas pessoas. Realmente, numa noite em que resolvemos passear em um shopping, havia um esquema de segurança enorme na porta, com direito a detectores de metal e revista de bolsas, sacolas e pessoas, o que se devia a uma tentativa de atentado ao local.
Não tivemos a oportunidade de conhecer muito, de modo que fico por aqui em minhas impressões.


Hanói:
Back to Hanói!!! Imaginem uma pessoa feliz, empolgada, animada e contente!
Foi como reencontrar um grande amigo que não via há anos. E, por sinal, realmente tive a chance de rever duas grandes amigas que fiz quando aqui estive da primeira vez. Tão bom!


Aquelas ruas bagunçadas, aquele som infindável de businas, aquele trânsito desesperador, o cheiro das ruas, das comidas, a poeira no ar, a simpatia dos vietnamitas, as refeições com sabores, aromas e textura inesperados. Por mais diferente e difícil que seja, é um lugar em que me sinto bem.
Percebi algumas mudanças, desde que aqui estive há 2 anos. Desta vez, havia muito mais carros nas ruas, competindo com as motos, com as bicicletas e com os pedestres de sempre. Casos de furtos aumentaram bastante. O ritmo me pareceu mais acelerado. 
Me contaram que a maior abertura para a economia de mercado está aumentando o poder aquisitivo da população (ou pelo menos de parte dela), o que estaria acarretando muitas mudanças num estilo de vida que antes era muito mais marcado pelo socialismo do governo local.
Ainda assim, a essência vietnamita continua firme e forte e é o que dá ao país e às pessoas um toque todo especial.
Tive pouco tempo para passear, especialmente em virtude do trabalho e do cansaço.
Na maior parte das noites, caminhávamos pelo Old Quarter, descobrindo a cada esquina mais alguma coisinha incrível.
A melhor refeição que fizemos foi, sem dúvida, feita na própria Embaixada, preparada pelas minhas queridas amigas. Elas nos fizeram um banquete dos deuses, que tornou quase impossível continuar o trabalho depois.
Tive a chance de ir uma vez mais a Halong Bay! Não importa quantas vezes volte àquele lugar, com suas 3 mil ilhas em pleno mar da China, creio que sempre ficarei impressionada com sua beleza, mistério e energia. Meus colegas pareciam crianças, sem saber para onde olhar.
Cena surreal: em nosso último dia, o pessoal da Embaixada nos convidou para almoçar em um restaurante típico. Uma das funcionárias vietnamitas, que estava comandando a escolha do menu, teve algum tipo de desentendimento com o garçom, sobre o peixe mais adequado para nos servir. Em meio a muita conversa e gesticulação, eis que a moça em questão se encaminha para um tanque enorme onde estavam os peixes, arregaça a manga da camisa, coloca a mão dentro e tira o peixe que ela queria que nos fosse servido! Isso é o que podemos chamar de uma mulher decidida!
E como sempre, fui embora querendo voltar. De férias e sem pressa.



Bangkok:
A boa e velha Bangkok. Acho que desta vez gostei mais da cidade do que da primeira.
Apesar do trabalho, tivemos a chance de fazer o passeio de barco pelo rio. Fomos ao Palácio Imperial onde, desta vez, enfim consegui ver o famoso Buda de esmeralda. Passamos mais de duas horas no mercado de Chatuchak, enorme, com suas centenas de corredores lotados das mais diversas e incríveis coisas para comprar.
Conhecemos um outro mercado um pouco menor, onde fiz a tradicional Thai massage e, também, a que eles chamam de "fish massage". Basicamente, você coloca os pés em um tanque d'água, em que dezenas de peixinhos famintos ficam mordistando cada pedacinho de pele que lhes aparece na frente! Passei os 15 minutos de duração, rindo sem parar. E tenho que dizer que
adorei! Após uma longa missão de 5 semanas pela Ásia, nada como uma boa terapia do riso para relaxar.



E daqui, de volta para o Brasil, bem em tempo para as festas de Natal!
Até a próxima.