A missão
pela Ásia foi sem dúvida a mais longa e cansativa de todas. Foram 5 semanas em
5 postos diferentes, com 12 horas de fuso horário ao qual não tínhamos tempo para
nos acostumar, sem contar o clima de 4 países diferentes e o detalhe de que
apenas podíamos viajar com uma mala de 23 kgs.
Agora que
já situei a todos nas dificuldades genéricas, vamos a cada um dos lugares:
Tóquio:
Não acredito que eu tenha tido a chance de realmente conhecer esta cidade tão diferente e tão notável. O que me vem à cabeça é que, aqui, a tecnologia é incorporada às entranhas da cidade, na mesma proporção em que o é a tradição milenar.
Nunca fui particularmente curiosa sobre o Japão
ou sobre a cultura japonesa. Cheguei a Tóquio com o propósito de trabalhar e
foi o que fiz. Por sinal, vale um comentário sobre a equipe de funcionários do
Consulado. Fantásticos. Foram certamente a melhor surpresa que
tive na primeira etapa da missão.
Com relação à cidade em si, não me surpreendeu
ou emocionou especialmente. Não sou uma aficcionada em tecnologia e modernidades
de última geração; nem tampouco me impressiono com grandes aglomerados de gente
(já que sou nascida e criada em São Paulo). Desse modo, à primeira vista, a percepção da cidade
foi a de uma megalópole, cheia de gente, com muitas coisas modernas, mas nada
de especial.
Mesmo assim, foi interessante parar um minuto
para observar algumas coisas. Como, por exemplo, o fato de que, lá, é permitido
fumar dentro dos lugares e proibido fumar ao ar livre! Pode-se até ser multado por fumar andando nas ruas.
Ou o contraste que parece haver entre a
milenar cultura japonesa, com seus templos budistas, jardins de cerejeiras e praticantes
de Tai Chi Chuan, e todos aqueles painéis luminosos de LCD, trens bala e casas
de diversão adulta, que se espalham por vários cantos da cidade.
Outro aparente contraste está na vestimenta das
pessoas. As crianças utilizam sóbrios uniformes escolares, com direito a
camisa, gravata, saia plissada e meias na altura dos joelhos. Os adolescentes e jovens
adultos, no entanto, fogem absolutamente de qualquer padrão imaginável,
inventando tanto que parece que a regra é não ter regra. Cabelos
esquizofrênicos, dos mais variados formatos, tamanhos e cores; roupas
esquizofrênicas, dos mais variados formados, tamanhos, cores e estampas; e
atitude de acordo. Já os adultos, em sua maioria, retornam aos padrões sóbrios e modestos, em ternos
de corte reto e saias abaixo dos joelhos, em cores escuras e com poucas estampas.
Talvez nada disto seja tão contrastante assim. Talvez sejam apenas dois lados da mesma moeda. Realmente não sei. Não me tornei uma expert na cultura japonesa. Mas essas foram algumas das coisas que chamaram a minha superficial atenção.
O café da manhã era realmente... estranho... variando desde ovo crú até peixe frito, com suco de laranja, café e arroz, torradas e panquecas. Uma confusão. Mas devo dizer que, passado o choque inicial, as torradas acompanhando a sopa de misô caiam muito bem, seguidas de uma cafezinho, é claro!
Passamos por um terremoto! Tá, um tremor de terra. Na verdade, foram vários tremores, que quase não senti, mas teve um bastante perceptível, que aconteceu enquanto almoçávamos e, de repende, parecia que alguém havia dado um empurrão em minha cadeira e todos os lustres do restaurante começaram a balançar. Ai...
No único dia livre, fomos a Kamakura, uma cidade bem bonita, onde visitamos um Buda de bronze gigantesco e um templo onde presenciamos os rituais de um casamento; além de ver dezenas de meninas vestidas com as roupas típicas japonesas, para realizar algum tipo de rito de passagem.
Nagóia:
Gostei um pouco mais de Nagóia. Não sei especificar o motivo, mas achei uma cidade com mais cara de cidade. Também tinha a pirotecnia típica, porém não me incomodou tanto e, de alguma forma, lá me senti mais à vontade.
Havia um painel luminoso, em frente a um shopping, que mostrava várias imagens da mudança das estações. Muito bonito.

Assim como em outras cidades que sofrem com invernos rigorosos, lá existe uma série de galerias subterraneas cheias de lojas, restaurantes e outras facilidades.
O único passeio que pude ir foi ao Castelo de Nagoya, que é rodeado por um jardim, tudo muito belo e harmonioso.
Infelizmente, não pude acompanhar alguns colegas que passaram um dia em Kyoto, pois meu vôo para Manila sairia no meio da tarde. Teria gostado de ir até Kyoto, pois ouvi que se trata de uma das mais bonitas cidades do Japão. Quem sabe em uma próxima oportunidade.
Manila:
Chegamos ao sudeste asiático! Aqui encontramos aquela baderna típica das grandes cidades da região, com seu trânsito caótico, ônibus com pessoas penduradas para fora, businas e multidões para todos os lados.
Mas achei a cidade com uma vibração estranha. Bastante ocidentalizada, sendo que a maioria das pessoas com quem tive contato falava inglês. A influência espanhola é perceptível, na arquitetura, na religião católica e na comida. Aliás, falando em comida, aqui comi uma das melhores paellas da minha vida!
Também havia uma certa tensão geral nas pessoas. Realmente, numa noite em que resolvemos passear em um shopping, havia um esquema de segurança enorme na porta, com direito a detectores de metal e revista de bolsas, sacolas e pessoas, o que se devia a uma tentativa de atentado ao local.
Não tivemos a oportunidade de conhecer muito, de modo que fico por aqui em minhas impressões.
Hanói:
Back to Hanói!!! Imaginem uma pessoa feliz, empolgada, animada e contente!
Foi como reencontrar um grande amigo que não via há anos. E, por sinal, realmente tive a chance de rever duas grandes amigas que fiz quando aqui estive da primeira vez. Tão bom!

Aquelas ruas bagunçadas, aquele som infindável de businas, aquele trânsito desesperador, o cheiro das ruas, das comidas, a poeira no ar, a simpatia dos vietnamitas, as refeições com sabores, aromas e textura inesperados. Por mais diferente e difícil que seja, é um lugar em que me sinto bem.
Percebi algumas mudanças, desde que aqui estive há 2 anos. Desta vez, havia muito mais carros nas ruas, competindo com as motos, com as bicicletas e com os pedestres de sempre. Casos de furtos aumentaram bastante. O ritmo me pareceu mais acelerado.
Me contaram que a maior abertura para a economia de mercado está aumentando o poder aquisitivo da população (ou pelo menos de parte dela), o que estaria acarretando muitas mudanças num estilo de vida que antes era muito mais marcado pelo socialismo do governo local.
Ainda assim, a essência vietnamita continua firme e forte e é o que dá ao país e às pessoas um toque todo especial.
Tive pouco tempo para passear, especialmente em virtude do trabalho e do cansaço.
Na maior parte das noites, caminhávamos pelo Old Quarter, descobrindo a cada esquina mais alguma coisinha incrível.
A melhor refeição que fizemos foi, sem dúvida, feita na própria Embaixada, preparada pelas minhas queridas amigas. Elas nos fizeram um banquete dos deuses, que tornou quase impossível continuar o trabalho depois.
Tive a chance de ir uma vez mais a Halong Bay! Não importa quantas vezes volte àquele lugar, com suas 3 mil ilhas em pleno mar da China, creio que sempre ficarei impressionada com sua beleza, mistério e energia. Meus colegas pareciam crianças, sem saber para onde olhar.
Cena surreal: em nosso último dia, o pessoal da Embaixada nos convidou para almoçar em um restaurante típico. Uma das funcionárias vietnamitas, que estava comandando a escolha do menu, teve algum tipo de desentendimento com o garçom, sobre o peixe mais adequado para nos servir. Em meio a muita conversa e gesticulação, eis que a moça em questão se encaminha para um tanque enorme onde estavam os peixes, arregaça a manga da camisa, coloca a mão dentro e tira o peixe que ela queria que nos fosse servido! Isso é o que podemos chamar de uma mulher decidida!
E como sempre, fui embora querendo voltar. De férias e sem pressa.
Bangkok:
A boa e velha Bangkok. Acho que desta vez gostei mais da cidade do que da primeira.
Apesar do trabalho, tivemos a chance de fazer o passeio de barco pelo rio. Fomos ao Palácio Imperial onde, desta vez, enfim consegui ver o famoso Buda de esmeralda. Passamos mais de duas horas no mercado de Chatuchak, enorme, com suas centenas de corredores lotados das mais diversas e incríveis coisas para comprar.

Conhecemos um outro mercado um pouco menor, onde fiz a tradicional Thai massage e, também, a que eles chamam de "fish massage". Basicamente, você coloca os pés em um tanque d'água, em que dezenas de peixinhos famintos ficam mordistando cada pedacinho de pele que lhes aparece na frente! Passei os 15 minutos de duração, rindo sem parar. E tenho que dizer que
adorei! Após uma longa missão de 5 semanas pela Ásia, nada como uma boa terapia do riso para relaxar.
E daqui, de volta para o Brasil, bem em tempo para as festas de Natal!
Até a próxima.